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A Teoria Econômica de Keynes

 

1. uma teoria geral

 

A teoria de Keynes se ocupa de todos os níveis do emprego, em contraste com a que ele denomina a teoria econômica clássica, que se limita ao caso especial do pleno emprego. O objetivo dela é explicar o que é que determina o volume de emprego em um momento dado, seja o pleno emprego, desemprego amplo ou algum nível intermediário.

Keynes intenta demonstrar que a situação normal do capitalismo do laissez faire em seu estádio atual de desenvolvimento é uma situação flutuante da atividade econômica que pode percorrer toda a gama que vai do pleno emprego até o desemprego total. Outro aspecto geral da teoria geral é que ela explica a inflação com a mesma facilidade que o desemprego, já que ambos dependem fundamentalmente do volume da procura efetiva. Quando a procura é deficiente gera-se o desemprego, e quando a procura é excessiva produz-se inflação.

Os conceitos básicos da teoria de Keynes são os volumes agregados de emprego, de rendimento nacional, de produção nacional, de oferta agregada, de procura agregada, de consumo social agregado, de investimento social agregado e de poupança social agregada. As relações entre as mercadorias isoladas, expressas em termos de preços e valores individuais, que constituem o objetivo principal da teoria de Keynes, mas são subsidiárias com respeito aos conceitos gerais de conjunto de emprego, renda, etc.

 

2. A Teoria de uma economia monetária

 

            O dinheiro desempenha três funções: a de meio de troca, a de unidade de conta, e a de reserva de valor. A função de acumular valor é a mais importante para a economia monetária que caracteriza Keynes. Os que possuem mais renda e riqueza do que consomem habitualmente podem acumular o excesso de várias formas, entre as quais se contam: entesourar dinheiro, emprestar dinheiro e inverte-lo em algum tipo de bem capital. Se optam por acumular sua riqueza, na forma de dinheiro, não obtêm rendimentos; se emprestam dinheiro recebem juros; e se adquirem um investimento de capital esperar tirar proveito. Existe uma explicação especial de porque as pessoas preferem guardar dinheiro, os possuidores de dinheiro gozam de um tipo de segurança que não desfrutam os possuidores de outras espécies de riqueza.

           

3. Juros como prêmio para não entesourar dinheiro

 

            Havia um desejo por parte dos possuidores de riqueza em acumular dinheiro, por causa dos riscos que corriam ao emprestá-lo. Isso foi modificado com o surgimento de um "prêmio", no caso, os juros.

             Eles são a recompensa para  abandonar o controle da riqueza em sua forma líquida. Quanto maior for a preferência  à liquidez, mais elevada será a taxa de juros a ser paga. A taxa de juros depende do desejo entesourar. Um aumento desse desejo aumenta a taxa de juros, mas pode ocorrer uma intervenção por parte externa.

            Com o aumento dos juros, vai ocorrer uma redução da procura, conseqüentemente negócios novos não irão ocorrer (o contrário se estivessem as taxas de juros mais baixas), tendendo então a causar desemprego.

            Segundo Keynes para se explicar o desemprego, não deve se considerar somente o dinheiro  e os juros, deve se levar em conta  a instabilidade da procura de bens  de capital, originada da irracionalidade do mercado de investimentos particulares.

 

4. Investimento como o  mais importante fator determinante de emprego

           

            O investimento compreende atividades tais como construir novas fábricas, novas casas, novas vias férreas , e outros tipos todos de bens que não sejam consumidos tão logo se produzam. Sua teoria , reduzida a expressão mais simples, assevera que o emprego depende do volume de investimento, ou ainda que o desemprego é o resultado do investimento insuficiente. Não somente alguns trabalhadores obtêm emprego diretamente na construçã de novas fábricas, casas, ferrovias, etc., mais ainda os trabalhadores assim empregados gastam seu dinheiro nos produtos das fábricas já construídas, pagam aluguel de casas já edificadas, viajam na vias férreas já existentes, etc. Para aproveitar o máximo as fábricas já existentes, temos que continuar construindo novas fábricas. De outro modo não se gastará em nossa sociedade, com sua desigualdade característica na distribuição da renda, dinheiro suficiente para manter em funcionamento as fábricas antigas. Se o investimento entra em declínio nasce o desemprego. É curial que se reveste na máxima importância compreender o que determina o volume de investimentos que efetivamente se verifica. Se entendemos por causa aquele que, dentro de uma complexa combinação de fatores, flutua com maior amplitude e rapidez, podemos dizer que o investimento é a determinante do emprego. O emprego flutua, antes de tudo, porque flutua o investimento. O desemprego resulta primordialmente de um investimento inadequado. Se se puder submeter a controle o investimento, o pleno emprego também pode ser controlado. Um elevado nível de emprego depende de um nível elevado de investimento. Mas para que o desemprego também não aumente, entendemos que o investimento dependerá também do fator juros, pois tornando-se os juros altos, pouco será o investimento das indústrias.

 

5. A irracionalidade psicológica como causa da instabilidade

 

               Para garantir o sucesso do investimento futuro,  é necessário se basear em uma estrutura solida, que não se repouse sobre uma base precária, para que as decisões não estejam sujeitas à revisões repentinas e precipitadas . Como estamos presentes no moderno capitalismo industrial, o investimento é base do funcionamento próspero de todo o sistema econômico . Assim é necessário um estudo minucioso sobre o negocio a ser montado,  possa compensar o investimento.

Temos que levar em conta o fato que concerne à vida econômica. Se os bens a serem produzidos serão destinados ao consumo imediato ou de produção de bens duráveis. Estando assim as previsões ligadas diretamente a estudos a curto e longo prazo,  chegando a conclusões que tais previsões possam reduzir-se a uma base racional e científica.

               Os empresários apesar dos acontecimentos futuros se fluírem de maneira pouco clara, tomam por base o presente como melhor guia para o futuro do que se poderia acolher de um exame despretensioso do passado. Isto é, existe a tendência de sabermos muito pouco do futuro a longo prazo. Mediante este fatos a mercê da pouca confiança que se tem nas opiniões,  o melhor é confiar no juízo da maioria  ou da média. O que  Keynes chama de juízos convencionais. Com base do comportamento no mercado. São convencionais porque  implicam uma coincidência geral da opinião,  ou  aceitação de uma convenção  como substituto a um conhecimento autentico do que existe. Os juízos convencionais proporcionam alguma estabilidade enquanto a convenção é aceita; porém quando esta cai por terra, a instabilidade entra na ordem do dia. (compare os altos e baixos da Bolsa de Valores).

                Assim temos grandes diferenças entre os postulados psicológicos de Keynes e o da escola clássica, há um aspecto em que as teorias psicológicas de ambos se assemelham. Os clássicos supõem um procedimento racional por parte dos indivíduos . O procedimento individual suposto por Keynes é também racional para um inversor aturdido querer reter dinheiro durante uma crise oriunda da depressão, dando este procedimento origem a resultados sumamente irracionais. Enquanto os economistas clássicos se ocupam de procedimentos racionais em um mundo racional, Keynes esta interessado no procedimento racional em um mundo irracional.

                 Resumindo partindo das cinco idéias fundamentais da General Theory, de Keynes. Todas se aglutinam na TEORIA DO EMPREGO. "Em um mundo no qual o futuro econômico é sumamente incerto e no qual o dinheiro é uma  forma importante de acumular riqueza o nível geral do emprego depende de relação entre os lucros esperados do investimento em bens de capital e o prêmio de juros que é preciso pagar para induzir os possuidores de riqueza a transferir o domínio de seu dinheiro".  Assim temos : Se há confiança no futuro, haverá investimento real e o emprego terá um nível elevado. Quando falta confiança no futuro e as expectativas são sombrias,  o investimento e o emprego descerão a níveis baixos

                  Uma depressão é um período em que o prêmio  que dever ser pago para não cumular dinheiro excede a proporção dos rendimentos esperados pela aplicação de novos bens de capital . Em conseqüência não se investe em novos empreendimentos e  não se empregam homens, que lhes faltaram rendimentos para comprar a produção das fábricas existentes.                

 
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