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OS CICLOS ECONÔMICOS DO PERÍODO COLONIAL

 

 

Ciclo do Pau-brasil

 

         Pau-brasil - Riqueza de exploração imediata: fácil acesso e investimento mínimo. Permanece como monopólio da Coroa até 1859. A fase mais intensa da exploração vai do período pré-colonial até meados do século XVI . A extração é feita ao longo do litoral, desde o Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro, em sistema de arrendamento através de contratos entre o Estado e companhias particulares, que pagam um quinto da extração ao governo português. Posteriormente, passa a ser feita mediante prévia autorização do governador-geral. Até a segunda metade do séc. XVI, o corte e o transporte local são feitos pelos índios, sob controle de feitores, comerciantes ou colonos. Depois, escravos negros são deslocados para o serviço, nas entressafras de cana-de-açúcar.

            A partir do final do séc. XVI, a Coroa portuguesa começa a temer o risco de esgotamento do produto e, em 1605 tenta regulamentar a exploração editando o Regimento do Pau-brasil.

 

 

 

Ciclo do açúcar (1532 - c. 1700)

 

            A cultura da cana-de-açúcar trouxe o primeiro surto de  prosperidade ao Brasil colonial. Foi ela que voltou à colônia os olhos mercantilistas da Coroa - até então fixados no  comércio com o Oriente -, promoveu a ocupação da faixa litorânea do Nordeste, determinou a composição étnica da região, definiu sua estrutura fundiária e delineou alguns dos traços marcantes da cultura brasileira.

            A cana, originária do sudeste da Ásia, era plantada pelos portugueses na ilha da Madeira desde meados do séc. XV.  Introduzida no Brasil provavelmente por Martim Afonso de  Souza em 1532, ela expandiu-se rapidamente, em especial em Pernambuco e na Bahia. Em 1570, existiam na colônia sessenta engenhos, dos quais 23 em Pernambuco e dezoito na Bahia, que produziam 60000 arrobas de açúcar anualmente. Treze anos depois, eles já eram 115 - 66 em Pernambuco e 36 na Bahia -, e sua produção ultrapassava as 350000 arrobas. Em meados do séc. XVII, quando o Brasil ainda liderava a produção mundial, seu número era superior a trezentos, apesar das invasões holandesas terem causado o abandono de muitas plantações.

            A pior conseqüência da ocupação no entanto, viria algumas décadas após a reconquista do Nordeste pelos portugueses: com as técnicas aprendidas no Brasil, os holandeses inundaram a Europa, a partir de 1660, de açúcar barato produzido em suas colônias nas Antilhas; pouco depois, também os franceses e ingleses passaram a exportar o produto. Em 1670, os produtores brasileiros venderam em Lisboa apenas a metade de sua produção de 65000 t; em 1700, as exportações já haviam caído para 26000 t, e o eixo da economia da colônia já começava a mover-se para as minas da região centro-sul.

            A lavoura canavieira caracterizava-se pela monocultura e pelo regime da grande propriedade, pela auto-suficiência das fazendas e pela utilização quase exclusiva, principalmente a partir de 1600, de mão-de-obra escrava em grande escala. As instalações das plantações incluíam a casa-grande, onde residia o proprietário e sua família; a senzala onde eram alojados os escravos; o engenho, local onde o açúcar era preparado; e a destilaria, onde produzia-se a aguardente. Além da terra dedicada ao plantio da cana, havia pastagens e uma pequena área reservada para o cultivo de alimentos, ambos para fins de subsistência.

 

 

 

Ciclo do ouro ( c. 1700 - 1803)

 

 

            O século XVIII foi a idade do ouro  e dos diamantes no Brasil. Descoberto no final do séc. XVII pelos bandeirantes, o ouro povoou uma área superior a 2 milhões de Km² , deu origem a cidades como Ouro Preto, Mariana, Sabará e S. João del Rei e encheu os cofres de Lisboa.

            Com uma produção estimada de 1000 t entre 1700 e 1800, a maior preocupação portuguesa foi com o controle da atividade mineradora. Já em 1702 era criada a Intendência das Minas, subordinada diretamente à Coroa, para recolher os impostos e cobrir o contrabando. Mas foi em 1725 que se organizou melhor o recolhimento do tributo, com a  proibição do transporte de ouro em pó ou em pepitas e a criação das Casas de Fundição, onde ele era fundido em barras e o fisco recolhia sua parte - 1/5 (chamado de quinto) da produção, sendo de 37 arrobas (cerca de 500 Kg) o mínimo exigido por ano pela Fazenda Real a princípio. Mais tarde essa contribuição mínima foi elevada para 100 arrobas (cerca de 1500 Kg). Quando esta quantia não era atingida, obrigava-se a população toda (e não apenas os mineradores) a completar a soma. Era a derrama, responsável por tantas rebeliões. De qualquer modo, depois de 1762 o quinto nunca chegou às 100 arrobas e, em 1803,  o tributo foi reduzido a 1/10 da produção.

           

 

 

 

Diamantes

 

 

            A exploração começa por volta de 1729, nas vilas de Diamantina e Serra do Frio, no norte de Minas Gerais. A produção atinge grande volumes, chegando a causar pânico no mercado joalheiro, por forçar a baixa dos preços. Em 1734, constituiu-se uma intendência, com autonomia quase total na administração das lavras. E a extração passa a ser controlada por meio de medidas severas, que incluem confisco, proibição da entrada de forasteiros e expulsão de escravos.

 

 

 

Renascimento agrícola

 

 

         Entre a época da mineração e o advento do café, do final do séc. XVIII a meados de 1830. Passada a euforia inicial da extração do ouro, começaram a surgir áreas de agricultura e pecuária ao longo dos caminhos para os depósitos auríferos. Essas atividades passam a ser lucrativas por causa do crescimento demográfico. As sesmarias (terras incultas ou abandonadas) são doadas a quem queira cultivá-las

            Algodão, tabaco e cacau tornam-se os principais produtos agrícolas de exportação.

            Os maiores centros produtores de algodão surgem no Nordeste (Maranhão e Pernambuco), O tabaco funciona,  ao longo do séc. XVII, como moeda de troca para aquisição de escravos nos mercados da costa africana. O grande produtor é a Bahia, seguida por Alagoas.

            O cacau, visto inicialmente como produto de atividade extrativista, praticada no Pará e em Rio Negro, passa a ser cultivado na Bahia e no Maranhão, com mão-de-obra escrava negra.

 

 

 

Pecuária

 

 

         Fator essencial na ocupação e povoamento do interior. As fazendas de criação de gado são latifúndios assentados em sesmarias. O proprietário, ao tomar posse da terra, arrenda as regiões mais distantes a pequenos criadores. A atividade não é dirigida para a  exportação e, em vez de escravos, usa mulatos, mestiços, negros forros, índios e brancos assalariados. É no Sul que a criação de gado mais se desenvolve.

 

 

Bibliografia

 

Almanaque Abril. 20ª ed. São Paulo, Editora Abril, 1994

Almanaque Abril. 15ª ed. São Paulo, Editora Abril, 1989

 
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