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INTERNET    

 

A Nova Aldeia Global

 

 

            Quando Marshall McLuhan, um dos grandes teóricos da comunicação de massa dos anos 70, formulou o conceito de "aldeia global" ele, com certeza, não tinha a menor noção do alcance futuro desse conceito e sua abrangência. Duas décadas depois, o mundo tem a sua aldeia global eletrônica onde e possível interagir e conversar com pessoas localizadas fisicamente em outros continentes ou buscar e recuperar informações situadas em locais geograficamente opostos. Esse é o resultado da explosão da Internet, que vem transformando o mundo em uma grande comunidade interligada através de seus computadores e modems.

            A Internet foi criada há, aproximadamente, 26 anos e atualmente é uma verdadeira teia digital interligando todos os continentes, atingindo 146 países e com um numero de usuários estimado em torno de 30 milhões que poderá chegar a alguma coisa em torno dos 70 milhões de pessoas conectadas até o final de 1995. Na verdade, a Internet deverá chegar a um número de usuários estimado em 100 milhões, em todo o mundo, até o fim do século.

            Misto de correio eletrônico, biblioteca digital e grande catalogo eletrónico, a Internet representa a criação de um espaço virtual onde pessoas, empresas e instituições deverão se encontrar para trocar e fazer negócios. É o chamado ciberespaço, para o qual a Internet vem servindo como via de acesso.

            Mas, perguntariam alguns, para que, exatamente, serve essa tal de Internet? Na verdade, não existe uma única resposta a essa pergunta, mas várias porque são muitos os aspectos possíveis de utilização da rede, seja do ponto de vista do cidadão, seja do lado das empresas e das instituições acadêmicas.

            Para o cidadão comum, a Internet oferece uma possibilidade mais rápida e mais barata com gente nos quatro cantos do mundo através de aplicativos de envio e recebimento de mensagens eletrônicas, ou correio eletrônico/e-mail (eletronic mail).

            O correio eletrônico permite a criação, envio, recebimento, leitura e armazenamento de qualquer tipo de mensagem e a transferencia de diversos formatos de arquivos (por incrível que pareça, o correio eletrônico é mais confiscável que o tradicional) entre os diversos usuários com conta na Internet.

            Além das mensagens, o usuário poderá contar com ferramentas de pesquisa que possibilitam a procura de uma informação em varias bibliotecas e servidores de informação espalhados ao redor do mundo através da digitação de uma ou mais palavras-chave.

            Isso, sem falar no aspecto de shopping eletrônico que vem crescendo, cada vez mais, dentro da rede. Um verdadeiro mercado persa digital, onde é possível comprar praticamente tudo, desde flores (que podem ser também enviadas para qualquer parte do mundo) até CDs e bens de informática como discos rígidos e outros itens, alem de serviços noticiosos especializados como New York Times Fax, The Electronic Telegraph, The San Francisco Chronicle, Jornal do Brasil on-line, Agencia Estado e o Informática & etc. (de "O Globo"), só para citar alguns.

 

 

Empresas virtuais

 

            Para as empresas, de grande ou pequeno porte, a rede oferece as mais diversas possibilidades, incluindo espinha dorsal para o estabelecimento de suas comunicações corporativas com o uso da Internet para aplicações de correio eletrônico e mesmo, de processamento cooperativo. Isso não só é possível como reduz os custos de implantação de um backbone dedicado só para conexão da matriz com seus escritórios em outras localidades.

            Mas, a principal aplicação comercial da Internet não é essa. Esse novo e grande universo possui espaço para empresas dos mais diversos tipos e setores de atividade.

            Atualmente, os principais personagens do comércio eletrônico são, principalmente, pequenas empresas. Isso não quer dizer que grandes empresas já não tenham acordado para o potencial da Internet como mercado de bens e serviços eletrônicos, como e o caso, nos Estados Unidos, da Home Shopping Network, uma das grandes do varejo, que comprou a Internet,  Shopping Network, uma das mais importantes empresas de marketing direto da rede.

            No Brasil, diversos candidatos a empreendedores virtuais já estão aparecendo. E o caso do Mappin, que esta se preparando para utilizar a experiência existente na área de televendas e aplica-la no marketing através de catalogo eletrônico que, alias, já tem um piloto no ar no acesso da Internet via Embratel.

            Outros empreendedores virtuais são o grupo educacional Objetivo e dois grandes bancos brasileiros: o Nacional e o Bradesco, que colocaram recentemente suas home pages no servidor de informações da Embratel.

            Os bancos, aliás, encontram-se extremamente interessados na Internet. Eles vêem a rede como um canal muito mais barato e uma grande oportunidade para expandir os serviços de home banking, que deverão crescer na medida em que a situação do acesso a parte brasileira da Internet ficar resolvido.

            Além do Bradesco e do Nacional, o Itaú também já esta pronto para colocar seus serviços no ar e só falta agora a definição de um endereço IP (Internet) para o banco.

            Segundo o diretor de telecomunicações do Itau, a idéia é ter, inicialmente, informações sobre os serviços e produtos bancários e evoluir para a realização de transações bancarias. assim que estiverem resolvidos alguns aspectos de segurança do acesso ao Itaú. O mesmo, alias, deve acontecer com os outros dois que, atualmente, só permitem o acesso a informações sobre seus serviços.

 

 

Como se conectar

 

            Depois dessa descrição das possibilidades oferecidas pela Internet, o usuário ansioso pergunta: como, então, se conectar?

            A resposta é, teoricamente, simples. Para começar, o usuário precisa de uma conta em um dos provedores de acesso a Internet que, no caso brasileiro, significa uma conta na rede acadêmica (uma conta de acesso em uma das universidades ligadas a Rede Nacional de Pesquisa), no AlterNex (um dos nos da RNP no Rio de Janeiro), na Embratel (no caso de ser um dos felizardos que tiveram suas contas ativadas ate o dia 31 de maio) ou em algum dos BBSs ligados ao AlterNex ou a Embratel (que dispõem de facilidades limitadas para seus usuários como o uso de correio eletrônico).

            Como usuário de uma conta ativa na Internet (normalmente alguma coisa como nome@serviço.domínio), o passo seguinte e ter um dos vários programas de comunicação existentes como BitCom, Crosstalk, Procomm Plus, Carbon Copy, Cosession e Norton PC Anywhere, para conexão com serviços de acesso Internet que possuam interface DOS, como e o caso do AlterNex, que permite a conexão monossessão (interface caracter), por parte do usuário.

            No caso de conexão através de interface gráfica, as escolhas passam por kits de aplicativos para conexão SLIP/PPP, como o Internet-in-a-Box e o Explore OnNet, ambos comercializados no Brasil pela Nutec Informática, ou pelo kit de acesso SLIP fornecido pelo AlterNex (que também pode ser transferido para o PC do usuário a partir do repositório de programas da RNP e que pode ser acessado pela interface a caracter).

            Em todos os casos, os kits de aplicativos com interface gráfica trazem ferramentas como o Mosaic, o Netscape (no caso do kit do Alternex) ou o Air Mosaic (no Internet-in-a-Box), para acesso as home pages dos servidores; alem de ferramentas para correio eletrônico (Eudora, Air Mail, etc), para transferencia de arquivos (FTP), para acesso remoto a outros servidores (telnet) e para acesso aos grupos de discussão da Usenet (Newsreader ou Agent038).

            A instalação desses kits de aplicativos e, no geral, bastante simples, com telas de instalação que guiam o usuário através de todo o processo, alem de alguns virem com documentação eletrônica em arquivos tipo readme.txt ou readme.doc, que explicam aspectos um pouco mais complicados como a configuração do modem para conexão com o provedor de acesso.

            O usuário também precisa (é claro) de um modem para a conexão através de linha telefônica. De acordo com as recomendações dos provedores de acesso como AlterNex e Embratel, o mais recomendável e a utilização de um modem (externo ou interno) com velocidade mínima de 14.400 bps, sendo que o ideal é o uso de modem com velocidade de 28.800 bps.

            A velocidade de transmissão de dados é um item muito importante porque ajuda a reduzir o tempo de transferencia de arquivos dos servidores para o micro do usuário e, consequentemente, barateia o custo da conexão, na medida em que o usuário paga, alem da ligação telefônica, o tempo de interligação com o serviço de acesso (que, normalmente, libera um tempo que varia de três a cinco horas mensais, de acordo com o que esta incluído na tarifa básica de acesso).

 

 

Requisitos de hardware

 

            Outro aspecto importante e a configuração a ser utilizada pelo futuro usuário da Internet. No caso de acesso a serviços com interface a caracter, os requisitos mínimos não são nada assustadores. Basta um micro 386 (pode ser ate um 5X25), com uma quantidade razoável de memória para execução de Windows e dos aplicativos de comunicação debaixo de Windows (normalmente 8 MB, sendo que o recomendável e usar 16 MB para não ter gargalos no processador).

            É preciso ter um disco com bastante espaço (para os programas e para os arquivos a serem baixados da rede, como correspondência eletrônica e conteúdo de conferencias), alem

de um modem rápido, como já foi mencionado anteriormente.

            Para os interessados no uso de interface gráfica (conexão SLIP/Ppp), os requisitos mínimos já mudam bastante. O aconselhável, neste caso, e um 486, no mínimo, Com cerca de 8 MB de memória principal (apesar de funcionar muito me lhor com 16 MB), bastante espaço em disco (pelo menos 5 MB só para os programas), monitor padrão SVGA e uma placa de vídeo com capacidade para exibição de 256 cores (porque muitas imagens existentes nos servidores Internet foram feitas para exibição com 256 cores e exigem capacidade de processamento de vídeo para não engargalar a conexão).

            Na verdade, a configuração ideal mínima passa por um 486 DX50, com 8 MB de RAM e um disco em torno de 250 MB, no mínimo, placa de vídeo de 1 MB (se possível uma placa de vídeo VL Bus) e um modem de 14.400 bps.

 

 

Guias de viagem

 

            Depois de vencidas as etapas iniciais de conseguir a conta e juntar todas as peças necessárias na sua configuração, o usuário já pode começar sua aventura pelo ciberespaço. Um dos pontos de partida possíveis (e interessantes) e a própria home page da Embratel (que continua no ar ate o final do ano).

            Sua estrutura dos serviços disponíveis apresenta os seguintes itens: conceitos da Internet, Guia para uma viagem  no ciberespaço, repositório publico de software, Usenet news,  Infoserv é um formulário de avaliação on-line.

            A parte do Infoserv o serviço de informações, conta com alguns provedores de informação já citados anteriormente (Agencia Estado, "O Globo" revista "Cyber") e outros como a Embratel, a revista NEO Interativa, o Mappin e a (r+s)i Redes de Sistemas de Informação alem do "Jornal do Brasil".

            O grupo educacional Objetivo, de São Paulo, também pode ser encontrado no InfoServ, com um serviço de informações sobre o próprio grupo, a Unip (Universidade Paulista, pertencente ao grupo), endereços das suas instalações na cidade de São Paulo, exemplos do conteúdo das apostilas utilizadas  dentro do grupo, informações sobre o 1º e 2º graus do Colégio Objetivo e o pré-vestibular.

            A parte das apostilas traz marcações de hipertexto, com hiperlinks que remetem a outros servidores dentro da Web, como e o caso da apostila de química, que remete a um servidor onde o usuário poderá encontrar todas as informações possíveis sobre a tabela periódica e seus elementos.

            O serviço oferecido pelas publicações, a exceção da Agencia Estado e de "O Globo", são, na verdade, catálogos eletrónicos das editoras e suas publicações, com resumos dos próximos números a serem publicados, a exemplo da NEO Interativa, que apresenta ícones das suas publicações em CD-ROM com hiperlinks que remetem a um resumo das próximas edições e de edições especiais como a NEO International (em inglês e juntando os melhores artigos dos números 1 e 2).

            Ainda na parte do Infoserv, o usuário poderá encontrar informações sobre empresas e oportunidades de negócios no Mercosul fornecidas pela AMS Editora, responsável pelo desenvolvimento de um serviço de informações sobre empresas, produtos e o histórico de formação do Mercosul, alem de informações sobre a empresa.

            Dois dos futuros provedores de acesso a Internet brasileira também se encontram na parte do servidor de informações: são os BaS Mandic e Persocom, com dados sobre serviços, conferencias disponíveis (ainda em construção) e formas de cadastramento aos seus serviços (o Mandic oferece, inclusive, um formulário eletrónico para preenchimento on-line .

            Isso sem falar na Montreal Tecnologia, que está anunciando serviços de consultoria para montagem de servidores WWW e seus futuros serviços também como provedor de acesso a rede.

            E os que se preocupam com as cotações de suas ações já podem unir o útil ao agradável. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro pode ser acessada no servidor da Embratel e mostra não só as ultimas cotações, como também um histórico do comportamento das ações na BVRJ.

 

 

Jornais on-line

 

            O caderno de informática do jornal "O Globo", que entrou no ar ainda durante a Comdex Rio, no inicio do ano, encontra-se no inicio de seu processo de desenvolvimento, mas tornando já disponíveis alguns itens como a matéria de capa e colunas permanentes do caderno com hiperlinks entre eles, alem de conexão com outros servidores WWW, como o da Unicamp (no endereço Web http://www.unicamp.br) que também pode servir de porta para outros servidores dentro da teia mundial de informações da Web.

            O "Jornal do Brasil" on-line, por sua vez, está disponível através do acesso ao endereço http://www.ax.ibase.org.br/ jb, no servidor do AlterNex. A edição eletrônica do "JB" traz as manchetes e algumas das principais matérias do dia, alem das colunas publicadas no primeiro caderno e dos suplementos como a revista Domingo e o Informática JB, sem falar em informações complementares a algumas das matérias (que, por sinal, trazem a indicação na edição impressa) do jornal.

            O usuário encontrara, também, a partir do serviço da Agencia Estado, informações sobre projetos ecológicos que estão sendo desenvolvidos em conjunto pela agencia, governo

federal e ONGs ambientalistas.

            Como, por exemplo, o Sinaá, projeto de um sistema de informações sobre os planos de desenvolvimento implantado na Amazônia durante os últimos 30 anos, que faz parte da Rede para o Desenvolvimento Sustentável do Brasil (RDS). Ele esta sendo encaminhado em três etapas, divididas em categorização dos projetos existentes na Amazônia em níveis hierárquicos, inventario dos organismos e instituições publicas e privadas envolvidas com os projetos de desenvolvimento e um inventario dos projetos em função de sua área de abrangência ou localização.

            Na mesma linha de projetos ecológicos, o usuário poderá, ainda, acessar informações sobre o projeto Queimadas, do Inpe e do Núcleo de Monitoramento Ambiental, da Embrapa (aquele que foi vitima da invasão de um hacker), com informações sobre queimadas de florestas  outra  áreas verdes em todo o território nacional.

 

 

Viagens culturais e de compras

 

            Para os interessados em viagens mais culturais, o servidor da Embratel oferece o acesso a catálogos eletrônicos, como a biblioteca virtual do CERN, na Suíça; ou a conexão com livrarias virtuais como a On line Bookstore, onde o visitante do serviço navega pelo catalogo das publicações disponíveis, com a possibilidade de realização de pedidos das que mais interessarem o usuário.

            A parte de negócios (aliás, a grande incentivadora do crescimento da Internet ao redor do mundo) também já oferece algumas opções interessantes ao usuário, como o acesso a verdadeiras lojas virtuais e balcões eletrônicos, como o Downtown Anywhere, Branch Mall, marketplace MCI, Commerce Net, Market Place, Internex, Career Magazine, Electra City e Internet Business Connection.

            Nesse mercado persa digital, o usuário da Internet poderá ter acesso a diferentes shoppings eletrônicos e, quando as conexões estiverem plenamente operacionais e estáveis, ele poderá se distrair fazendo um "footing" virtual, apreciar as mais diversas mercadorias nas vitrines eletrônicas e realizar alguma compra que lhe interesse, através do preenchimento de formulários eletrônicos para pedidos de compra.

            Mas, para quem gosta de novidades, e possível acessar, ainda, links que possibilitam a conexão (ver lista de sites da Internet nesta matéria) com os estúdios da Walt Disney, a Universal Pictures, o catalogo de discos da Sony Music (com a possibilidade de ouvir musicas através da transferencia de arquivos formato .wav ou .au) ou mesmo um curso sobre o uso de correio eletrônico.

            Por fim, depois de superadas todas as etapas, só resta desejar aos novos surfistas da Internet uma boa conexão e uma boa viagem pelo novo ponto de encontro virtual da aldeia global digital: o ciberespaço.

 

O maior espetáculo da Terra

 

10 razões pelas quais a rede continuará a ser um número importante

 

            Trabalhar sem rede é a exibição máxima de bravura do artista de trapézio. O máximo em bravura - ou displiscência - para a empresa de hoje é trabalhar sem a rede, se levarmos à sério os divulgadores que criaram uma atmosfera de circo em torno da Internet.

            Mas muitas empresas conscientes da Rede acham que a confusão  e a  incerteza que cercam a Internet acabam ofunscando seu poderio financeiro. Clientes surfam na rede em manadas e, no entanto, a maioria resiste à idéia de fazer compras on-line por causa de preocupações com a segurança.

            A University of  Michigan Business School descobriu recentemente que de quatro a cinco vezes mais pessoas utilizam a WWW (World Wide Web) para encontrar informações sobre produtos e serviços do que o número daqueles que de fato compram alguma coisa através da rede.

            Para piorar as coisas, a qualidade e a confiabilidade do serviço variam entre os fornecedores de conexão à Internet. E a própria Internet está numa transição crítica, deixando de ser financiada principalmente pelo governo para se tornar um empreendimento comercial financiado pelo setor privado.

            Tudo isso pode já ter criado um movimento de reação . O veterano da rede Clifford Stoll, em Silicon Snake Oil, levanta uma bandeira vermelha cibernética sobre aquilo que se chama de "a brutal disparidade entre a utopia alardeada e a realidade mundana da comunidade interligada pela rede hoje". Ele compara a baixa velocidade e acesso aos dados através das redes interconectadas com "ficar patinando como uma banana na gelatina".

            Somente o tempo dirá se a Internet evoluirá com sucesso como mercado comercial. Até então, será preciso desenvolver uma estratégia para a Internet ou arriscar-se a cair sem a rede de proteção. Vá em frente, aqui estão dez razões para começar a desenvolver essa estratégia hoje.

 

 

1. O Tio Sam sai da rede

 

 O Tradicional benfeitor da Internet está cortando o financiamento

 

            No dia 30 de abril, o governo federal essencialmente fechou a torneira do financiamento a Internet quando a tradicional benfeitora da rede, a NSF (National Science Foundation) transferiu o grosso de seu financiamento para uma nova rede experimental chamada vBNS (Very-High-Speed Backbone Network Service).                                     

            A vBNS existira primariamente para pesquisas, ao invés de operações comerciais, e pode se tornar o local para "a descoberta de algumas noções bastante ousadas", diz Vinton Cerf, um dos fundadores da Internet, projetista do TCP/IP e atualmente vice-presidente sênior de arquitetura de dados da MCI e chefe da iniciativa Internet da companhia. "Ela nos  levara a aplicações consideradas impossíveis por causa de limitações [de largura de faixa]", prevê ele.

            A pesquisa na vBNS concentrar-se-a em tecnologias e serviços inter-redes de faixa larga. A essência do projeto será aumentar a velocidade e a escala da Internet e de suas tecnologias subjacentes, segundo Jane  Caviness, diretora interina da Networking Division da NSF.     

            A vBNS proporcionara inicialmente um campo de testes com serviço de 155 Mbps (OC-3) para novas aplicações em rede e, com o tempo, o campo de testes acomodara velocidades de 622 Mbps (OC-12). A NSF antecipa que o vBNS será atualizado para 2,5 bps (OC-48) em 1998, embora as datas reais dependam em parte da disponibilidade de alguns produtos comerciais, inclusive tecnologia de roteamento e chaveamento.

            Em contraste, o backbone da Internet opera em 45 Mbps usando circuitos T3 (ate 1991, a Internet usava um circuito de 1,5 Mbps).

            A MCI detém o acordo cooperativo de US$ 50 milhões e cinco anos para operar a vBNS, que será fisicamente separa da da Internet. Esta continuara a existir sob os auspícios dos fornecedores comerciais de serviços de rede.

            A vBNS terá pontos de acesso  rede tal como os backbones atuais e conectara cinco centros de supercomputação espalhados pelo pais. Para as operações do dia-a-dia, contudo, esses centros de supercomputação continuarão a usar a Internet e, pela primeira vez, eles terão de adquirir o acesso a Internet de fornecedores de serviços comerciais.

            A vBNS testara tecnologias de roteamento e de chaveamento de alta velocidade como o ATM (Asynchonous Trans fer Mode) e frame relay. O ATM é o método de acesso atual para a infra-estrutura SONET (Synchronous Optical Network) e é também a forma de obter transferencias de dados em alta velocidade em WANs. Outras tecnologias que se espera que sejam testadas incluem os fluxos de pacotes (packet flows), uma técnica que permite que pacotes de dados sejam enviados de uma fonte para múltiplos destinos. (As redes tradicionais de pacotes chaveados são projetadas para dois pontos de conexão, um  emissor e um receptor.)

            A tecnologia de fluxos de pacotes pode ser crítica para o chamado "multicasting"      de dados multimídia através de redes. Tal como uma estação de TV transmitindo um programa para milhões de lares, o muiticasting pode transmitir em broadcast apresentações de áudio/vídeo para múltiplos computadores em rede.

            O coração do conceito de fluxos de pacotes e que alguns serviços, como telefonia e vídeo, tem requisitos especiais de transmissão. Uma idéia que a NSF esta considerando e fazer o trabalho na camada 2, usando algo como o serviço VBR (Variable Bit Rate - Taxa Variável de Bits) ou CBR (Constant Bit Rate - Taxa Constante de Bits) do ATM.

            Uma outra proposta sendo discutida e embutir nova funcionalidade na camada de trabalho da Internet. O IP versão 6, que discutiremos daqui a pouco, tem um campo especial, o FlowID, que pode ajudar a implementar esta. função. Roteadores Internet precisariam também executar algum grau de isolamento de trafego entre os serviços (isto e, ftp e vídeo), de modo que grandes ftps não tenham impacto sobre a entrega de fluxos de vídeo.

            Antes do multicast, será possível usar tecnologia de fluxos de pacotes para alocar recursos de rede com base no tamanho dos pacotes e na velocidade em pacotes por segundo exigida pelo conteúdo multimídia.

            Uma versão pioneira dessa tecnologia opera no MBone, ou Multicast Backbone, patrocinado pelo governo, que distribui apresentações de vídeo e aúdio para alguns locais Internet.

            Os lançamentos do ônibus espacial são transmitidos através do MBone, por exemplo. Contudo, o MBone opera com uma largura de faixa relativamente pequena, variando de 56 Kbps a 1,5 Mbps. Segundo Rick Wilder, gerente senior de tecnologia Internet da MCI, as aplicações de vídeo na vBNS exigirão velocidades de "dezenas de megabits por segundo".

  A vBNS servira também de local de teste para o Ipng (next generation) ou IP versão 6, o protocolo inter-redes atualizado. O IP 6 oferecera endereçamento expandido, roteamento simplificado de pacotes e manipulação de mensagens. O rascunho do IP 6 não será implementado ate 1996 e pode não ter impacto comercial na Internet ate 1997, no mínimo.

            Nesse meio tempo, a vBNS trabalhara em propostas de projeto do IP 6 que expandam as capacidades de roteamento e endereçamento, ofereçam cabeçalhos de pacotes simples e

possam ser empregados incrementalmente ao se fazer a transição da versão atual do IP.

 

 

2. Pegue um pedaço da rede

 

 Companhias de redes comerciais estão competindo pelo controle

 

            Agora que o governo federal saiu de cena, quem manterá a Internet? O backbone principal da Internet  (-NFSNET) vinha sendo operado pela ANS (Advanced Network 8z Se vices), uma companhia sem fins lucrativos orientada para pesquisa montada pela Merit Network, IBM  MCI em 1990, segundo um acordo de cooperação entre NSF e a Merit. Esse contrato terminou em abril. Em fevereiro, a ANS vendeu sua infra-estrutura de backbone para a America Online. As responsabilidades pela manutenção do backbone. anteriormente de competência da NSF, estão sendo assumidas pela ANS/AOL e por outros fornecedores de serviços de rede. como a MCI e a Sprint .

            O custo de operação da Internet era dividido entre a NSF e os usuários públicos e comerciais. Desde I993, a NSF vem passando o financiamento do backbone para o setor comercial. Como resultado, o descomissionamento de 30 de abril foi em grande parte um evento vazio.

            Nos anos recentes, a NSF gastou cerca de US$ 11 milhões anualmente em financiamento do backbone. Ela continuara a subsidiar as conexões NAP para redes regionais em uma escala decrescente, planejando reduzir o financiamento a  zero até 1998.

            A IETF (Internet Engineering Task Force) ainda governa em grande parte a Internet, numa base de fins específicos. Tradicionalmente, os membros da IETF representavam o governo federal e a academia, mas ela agora poderá ser dominada por forças comerciais.

            "A Internet ira para onde o dinheiro da iniciativa privada a mandar, [para] companhias como a Microsoft", diz Howard  Mirowitz, vice-presidente e gerente geral   delegado do North American Multimedia Business Center da Mitsubishi Electronics America.

            Ele se preocupa que um menor envolvimento do governo possa ter um lado negativo. "Como chegaremos a um  acordo sobre qual dinheiro digital usar ou sobre os padrões  de encriptação? Sem o papel do governo, haverá muita incerteza", adverte Mirowitz. Os otimistas dizem que com o  aumento do uso, uma Internet mais comercial pode reduzir  os custos de acesso, das transmissões  de chaveadores e outros equipamentos de hardware.

 

 

 

3. Sorria ao dizer isso

 

 A videoconferência luta entre o possível e o prático

 

            A videoconferência através da Internet não é para quem tem coração fraco, mas um esforço poderá finalmente torná-la prática para as empresas. O MBone (Multicast Backbone) estabelece um meio para o envio de pacotes em multicast através de partes da Internet física existente. Ela já transporta reuniões ao vivo da IETF e alguns cientistas o utilizam para colaboração em tempo real.

            O MBone chegou mesmo a transmitir parte de um concerto dos Rolling Stones. Mais de uma dúzia de fornecedores de serviços regionais suportam o MBone para aproximadamente 1.700 sub-redes, e este numero esta dobrando a cada seis meses, segundo Steve Deering, um cientista de computação do PARC (Palo Alto Research Center) da Xerox é um importante desenvolvedor do MBone. "A Internet está dobrando a cada ano, de modo que [o MBone] esta pegando", diz ele.

            Completamente implementado, o MBone poderá proporcionar capacidades de videoconferência a preços modestos para qualquer indivíduo ou empresa com acesso a Internet. Por enquanto, restrições de largura de faixa e limitada disponibilidade estão mantendo-o fora do horário nobre.

            Pacotes em multicast diferem de pacotes unicast "normais" pelo fato de irem para múltiplos destinos, ao invés de apenas um. Os dados da fonte viajam para apenas um endereço de "grupo" através do MBone, mas qualquer sistema configurado para MBone pode captar os sinais usando esse endereço, tal como um rádio sintonizando uma estação especifica.

            Porém, nem todo mundo na Internet pode receber esses broadcasts. O sistema deve suportar multicasting IP, que é algo que a maioria das estações Unix faz ao sair da caixa ou

com uma atualização de software.

            O software PC/TCP OnNet da FTP Software, o Windows for Workgroups e o Windows 95 proporcionam multicasting IP para sistemas DOS/Windows. O Open Transport da Apple incluirá IP Multicast.

            O fornecedor de serviços deve também usar um roteador multicast para enviar sinais de videoconferência para pontos mais capacitados para MBone, criando "túneis" . Esses túneis utilizam o daemon de roteamento multicast "mroteado  para a canalização através de roteadores nao-multicast para os pontos finais pretendidos.

            Como os roteadores convencionais de redes não podem lidar com pacotes multicast, os transmissores em broadcast encapsulam os pacotes usando um cabeçalho IP convencional, de modo que os roteadores vêem os pacotes como normais. Uma vez do outro lado do roteador o cabeçalho é retirado e os pacotes retornam à forma multicast. No futuro, alguns roteadores comerciais incorporarão tanto capacidades convencionais quanto Mbone.

            Uma linha T1 é tipicamente utilizada para conectar locais capacitados para 1,5 Mbps, a T1 pode efetivamente transportar somente duas ou três portas videoconferência de cada vez.

            Por esse motivo, os transmissores em brodcast agendaram as transmissões de vídeo conferência pelo Mbone para momentos específicos para evitar sobrecarga do sistema.

            Devido à sobrecarga de outros tipos de tráfego na linha T1, a largura de faixa máxima disponível para usuários do MBone em determinado momento é cerca de 500 Kbps. Fluxos de vídeo requerem 128 Kbps(a cerca de quatro quadros por segundo), e o áudio consome 64 Kbps. Isso não inclui a sobrecarga dos cabeçalhos. Essa carência de largura de faixa é o principal fator de limitação do amplo uso do MBone.

            "Aplicações [de videconferência] requerem muita largura de faixa, e ela simplesmente não existe", Observa Deering. Ele está otimista quanto à capacidade se tornar disponível à medida que os fornecedores de serviços da Internet atualizarem seu hardware.

            O MBone não é o único meio de conduzir videoconferências através da Internet. O Vídeo Vu, da future Communications Systems, é um pacote de hardware e software de US$ 479 que permite o envio e recepção de sinais de vídeo e áudio através da Internet via uma conexão por modem comum e uma câmera digital normal. A companhia afirma  que as taxas de exibição chegam a 15 quadros por segundo (qps). Mas o vídeo Vu Somente envia sinais e unicast. Martin Fox, Presidente da Future, espera poder fazer uso do MBone do futuro, mas "no momento, a maioria das pessoas não tem MBone".

            Para maiores informações sobre o MBone, ver o MBone FAQ em http://www.eit.com/techinfo/mbone.html.

 

 

4. Podemos falar em língua franca

 

 O HTML vai sofrer uma grande revisão

 

        Desde 1990, o HTML, o sistema padrão para marcação de hipertexto da WWW (World Wide Web) sofreu duas grandes revisões: HTML 2.0, uma atualização do padrão formal, e o HTML+,um conjunto informal de extensões que se tornou amplamente utilizado na WWW. Até o final deste verão americano espera-se que muitos paginadores da Web suportem uma nova versão, o HTML 3.0.

            A mais recente interação proporcionará recursos introduzidos pelo HTML+ e terá compatibilidade retroativa com o 2.0. A versão 3.0 deverá  ser também mais acomodativa para documentos frouxamente estruturados do que o HTML+.

            "O HTML  3.0 oferece capacidades expressivas similares àquelas proporcionais por programas de processamento de texto", diz Dan Connolly do  World Wide Web Consortium . "No 2.0, se o documento original contivesse uma tabela, Não havia de descrever essa informação. No 3.0 há. Esse aumento de expressividade do HTML 3.0 significa que as pessoas poderão traduzir documentos de programas comerciais de processamento de texto e rede todas as informações do original."

            A WWW está impulsionando os melhores a serem incluídos no HTML 3.0. Dave  Raggett, um colaborador chave para o rascunho do 3.0 chama de especificação de "um enorme exercício de testes com o usuário". Por exemplo, os fornecedores de informação querem controlar a apresentação de documentação. Para fazer isso, ao mesmo tempo mantendo o WTML focalizado na marcação  do conteúdo(e não na apresentação), o HTML 3.0 suporta folhas de estilo através de um elo com URI (Universal Resource Identifier - Identificador Universal de Recurso) de folha de estilo. O HTML 3.0  lidar também com fluxos de texto ao redor de figuras (vertela), equações matemáticas, listas personalizadas e a capacidade de incluir tabelas em um documento.

            O recurso para tabelas estão entre os acréscimos, mais interessantes do HTML 3.0. A nova versão evitar a complexidade do modelo de tabelas CALS (Continuous Acquisition and   Life-Cycle Support) e utilizar um estilo de marcação que funciona em uma grande variedade de dispositivos de sadia inclusive braile e sintetizadores de fala.                

            As tabelas podem conter cabeçalhos, listas, parágrafos, formulários, figuras, texto formatado e tabelas aninha das. O estilo de marcação , simples o suficiente para ser digitado mas a maioria de não achar mais fácil utilizar diretamente um editor HTML 3.0 ou um filtro a partir de um formato de processamento de texto.

            Ao formatar tabelas alinhadas à direita ou à esquerda, os elementos subsequentes automaticamente fluem ao redor da tabela, se houver espaço suficiente. Esse comportamento pode ser desligado com a atribuição de um "noflow" à tabela.

            Para fazer a transição de HTML 2.0 para 3.0, os fornecedores de informações são aconselhados a usar um conteúdo MIME (Multipurpose Internet Mail  Extensions)  tipo "text/html; version=3.0" para evitar possíveis problemas para os usuários de HTML 2.0. No futuro, os autores do 3.0 esperam ver programas que convertam automaticamente documentos 3.0 para o formato 2.0.

            Para dar uma olhada mais de perto no HTML 3.0, veja a especificação     (http://www.hpl.hp.co.uk/people/dsr/html/CoverPage.html) e o DTD (Document Type Definition - Definição de Tipo de Documento) http://www.w3/org/hypertext/WWW/markup/html3-dtd.txt). Experimente também o paginador freeware de teste. Para maiores informações, ver http://www.w3.org/hypertext/WWW/Arena/.              Para participar dos grupos de discussão do HTML 3.0 os faça conexão sob "Discussion" em http://www.w3.org/hypertext/WWW/TheProject.html.

           

 

 

5. Entradas para rede: 1ª classe, classe executiva e fila de espera

 

 Nem todos os forncedores de serviços Internet são iguais

 

            Os fornecedores de serviços variam desde aqueles que oferecem Internet "de nível industrial" para grandes empresas até serviços "faça você mesmo", de companhias que estão entrando na rede, presas por um alfinete de segurança.       

            Usuários de nível industrial contratam um serviço, como BBN Planet, internet MCI ou IBM Global Network, para cuidar de todos os aspectos da utilização da Internet. Por exemplo, a BBN Planet monta páginas WWW para a empresa cliente, fornece um endereço IP, proporciona paredes corta logo, faz monitoração 24 horas da rede quanto a lentidão e outras dificuldades e resolve problemas com mensagens de e-mail. A BBN Planet afirma ter mais de 1.100 clientes corporativos, que incluem editoras, firmas de advocacia, companhias de impressão e empresas de energia.

            Companhias como a BBN oferecem também,m acesso remoto a seus servidores, o que reduz os riscos de segurança e torna tais fornecedores responsáveis pela manutenção da largura de faixa adequada. Como sabem os usuários experientes da Internet, as redes tornam-se sobrecarregadas ou entram em colapso não importa quão grande seja a largura de faixa.                           

            Os grandes fornecedores de serviços prometem largura de faixa adequada para evitar grandes problemas de performance. Mas largura de faixa não , barato. Por exemplo, a BBN Planet oferece serviço 56 Kbps variando de US$ 500 a US$ 1.000 (EUA) por mês, sendo que o serviço Tl (1,5 Mbps) varia de US$ 1.800 a US$ 2.500 (EUA) por mês. Observe que a largura de faixa não , alocada dinamicamente, mas ao invés disso , baseada em previsões de utilização. A aquisição de largura de faixa adicional , uma questão de acrescentar mais linhas T1 ou T3  à rede, para reagir a demandas adicionais do usuário.

            Na outra ponta do espectro estão as companhias de acesso "caipira" à Internet, que são tipicamente fornecedores locais de serviços que alugam linhas dedicadas de suas linhas T 1.

            Os clientes empresariais adquirem acesso à Internet através dessas linhas dedicadas e alugam espaço no servidor WWW do fornecedor de serviços para estabelecer uma home page.

            O aluguel, econômico, especialmente em se tratando de pequenas companhias novatas na Internet. Por exemplo, a Hooked aluga 2 MB em seu servidor WWW por US$ 35 por mês, o que inclui 20 horas de acesso, sendo cobrados US$ 3 por hora adicional. Há também uma taxa de US$ 100 pelo estabelecimento de um nome de domínio.                  

            A taxa pelo estabelecimento de uma página na Web , de US$ 70 por hora. Linhas delicadas são consideravelmente mais caras. Uma linha ISDN de 56 Kbps em San  Francisco Custa US$ 250 pôr mês e requer um roteador que varia em  preço de US$ 800 a US$ 1.500.       

            Para Homer H. Hillis Jr., presidente da HHH Enterprises, obter  acesso à Internet foi simples. Após usar o Prodigy por um ano, Hillis decidiu anunciar os produtos de joalheria de sua companhia na Internet. Ele recorreu à OnRamp Technologies, um fornecedor de serviços Internet de Dallas. A companhia forneceu a Hillis um número de conta e equipou seu PC com o software de comunicações Chameleon, da NetManage (Cupertino, CA). "O acesso, fácil desde que você esteja disposto a molhar os pés e a ler sobre a tecnologia", diz Hillis.

            A desvantagem com os fornecedores de serviços de pequeno porte, contudo, é que alguns deles vendem uma capacidade que não têm, segundo Thom Stark, o cabeça da Stark Realities.

            Se duas dúzias de empresas alugam acesso a um servidor VVWW em uma rede local com um número limitado de linhas Tl, a rede inteira pode ficar lenta se uma dessas empresas, se tornar quente e começar a receber milhares de acessos por dia.

            "É difícil planejar algo como as páginas Web da "Playboy" que recebem um quarto de milhão de acessos por dia", ressalta Stark. Greg Lesko, diretor de vendas da Hooked reconhece que a sobrecarga da largura de faixa pode ser um  problema "especialmente se houver muitas imagens gráficas na página".

            Dan Adachi, gerente de produtos da Software Professionals, é cliente da Hooked e de um fornecedor de serviços Internet concorrente. Ele diz que a Hooked tem ficado acima dos problemas de performance, mas que o outro serviço "pode ser horrendo em alguns dias, quando a companhia inteira está usando a Web".

            Steve Heflin, presidente da New Age Micro Systems encontrou outros problemas. "Fazer com que os produtos [de acesso] ficassem em conformidade com os protocolos de rede subjacentes foi tão frustrante que eu tive de começar a rir para não ficar louco", diz o consultor da indústria da computação. "Todas as vezes que eu ligava para a companhia, um técnico me dizia que o software não era compatível com  meu fornecedor de acesso", conta  Heflin. "Eu ficava mudando de fornecedor, mas isso não ajudou em nada.

            Por fim, Heflin instalou com sucesso o SuperHighway Access, da Frontier Technologies. Ele começou a usar a Internet para enviar e-mail e depois avançou  para aprestações multimídia. Contudo, Heflin adverte a todos sobre armadilhas em potencial: "Há poucos padrões de regras e protocolos, [de modo que o usuário muitas vezes tem de determinar quais itens funcionam juntos, e esse Processo pode ser difícil e demorado."

            Como em qualquer mercado novo, é provável que haja um peneiramento das pequenas companhias. Há sinais de que esse processo já começou. Por exemplo, a CompuServe adquiriu recentemente a Spry, um fornecedor de serviços Internet  e distribuidor do Internet In A Box.

            O fornecedor nacional de Internet Performance Systems International comprou entemente a Pipeline, um fornecedor e desenvolvedor de software de acesso à Internet de menor  porte.

 

6. Uma Trégua na segurança

 

 Os padrões de segurança continuam fluidos 

 

            A segurança inadequada , o maior desafio para a transformação da Internet em um mercado comercial. Como os incidentes de quebra de segurança são freqüentes na Internet muitas empresas e consumidores estão compreensivelmente intranqüilos a respeito da execução on-line de transações financeiras ou outras de caráter confidencial.

            Hoje, há dois enfoques básicos para o comércio eletrônico seguro. O primeiro concentra-se na proteção dos recursos implementando segurança nos servidores individuais e nos locais de redes. Essa segurança de acesso , geralmente resolvida por paredes corta-fogo ou outros meios de "segurança perimétrica"   .

            O segundo enfoque concentra-se na segurança das transações. Esse tipo de segurança trata da escuta não-autorizada ou da interferência nas comunicações comprador/vendedor; da autenticação, de modo que ambas as partes estejam confiantes em saber com quem estão falando; da integridade das mensagens, de modo que seu conteúdo não possa ser alterado ou danificado; e de um registro não-repudiável da transação na forma de um recibo ou assinatura.                             

            Uma maneira de obter essas propriedades , a segurança baseada em canais, que torna seguro o canal ao longo do qual as transações estão ocorrendo. Os usuários assumem que quaisquer dados passando através deste canal estão seguros.                 

            A segurança baseada em documentação focaliza a segurança dos documentos que formam a transação. Dois padrões emergentes tratam da segurança baseada em canais e em documentos. O sistema SSL (Secure Sockets Layer - Camada de Soquetes Seguros), da Netscape Communications (antiga Mosaic Communications),é a principal tecnologia baseada em canais.

            O mais importante enfoque baseado em documentos , o sistema SHTTP cure Hypertext Transporte Protocol - Protocolo Para Transporte Seguro de Hipertexto), da Enterprise Integration Technologies - a principal patrocinadora do CommerceNet, um consórcio sem fins lucrativos. Seus membros incluem a Apple, o Bank of America e a Hewlett-Packard. O Commerce  Net criou muitos projetos piloto de comércio eletrônico e , um  importante proponente do SHTTP.

            O SSL, que inclui alguns recursos da segurança de documentos (por exemplo, assinaturas digitais), está mais avançado do que o SHTTP, que continua em estágio piloto. Alguns observadores estão certos quanto ao SHTTP chegar a entrar  no mercado                          "Até hoje, o SHTTP não existe. Ele está quase virando uma piada", diz  Andrew  SingletOn,  da Money.com (Cambridge, MA). "Todo mundo está usando o sistema SSL                                  da Netscape." Outros discordam quanto ao potencial do SHTTP.

            "Há um forte contigente a favor do SHTTP", afirma Cerf, da MCIú

            "Não podemos dar uma definição [sobre seu destino] neste ponto. Os defensores do SHTTP dizem que seu modelo de segurança de documentos , inerentemente mais confiável do que a segurança por canal e que  algumas instituições financeiras não ágeis e o consórcio   se contentarão com menos.

            Nesse meio tempo, as empresas da Internet estão se preparando para suportar os dois protocolos de segurança. "Ficaremos com o que os clientes quiserem", explica Bill Rollinson, co-fundador e  vice-presidente de marketing da Internet Shopping Network.

            "De 60% a 70% de nossos clientes estão usando paginadores Netscape [que suportam SSL], mas provavelmente teremos que dar suporte a várias soluções." Apesar de seu ceticismo a respeito do SHTTP, Singleton, da Money.com estão seguindo uma estratégia similar. "Suportaremos ambos [SSL e SHTTP] trabalhando com dois servidores; teremos um cabeçalho que direcionar a transação para o servidor apropriado."             

            No fechamento dessa edição uma companhia novata anunciava planos de fundir os dois padrões. A Terisa Systems , de propriedade conjunta da RSA Data Security, uma das principais desenvolvedoras de sistemas criptográficos, e da EIT. Entre os investidores na Terisa estão a America Online, CompuServe, Prodigy/IBM e Netscape. O que , intrigante , a junção da Netscape com a EIT (proponentes do SSL e do SHTTP, respectivamente). Isso pode indicar uma trégua nos protocolos de segurança, que melhora a perspectiva de um padrão único. "Estou confiante em que acabaremos num ambiente comum, seguro e interoperável", diz Chini Krishnan engenheiro sênior de marketing da EIT. "O mercado precisa e, portanto, isso acontecer."

            Rosanne Siino, diretor de comunicações da Netscape, confirma o objetivo da Terisa de integrar SSL e SHTTP. "Eles não são incompatíveis, já que operam em níveis diferentes", observa ela. Siino diz que a Netscape ajudar a Terisa a desenvolver um kit de ferramentas que tornar possível a integração.

            Produtos comerciais baseados na tecnologia da Terisa não são esperados antes do próximo outono americano, embora o kit de ferramentas que funda SSL, e SHTTP possa estar disponível neste verão americano.

           

 

7. Vitrines no ciberespaço

 

 O número de surfistas supera de longe o número de compradores na WWW

 

                       

            O servidores WWW seguros são hoje a forma mais rápida de dar o salto inicial para o comércio na Internet. Tais servidores utilizam quase exclusivamente o sistema SSL da Nets    cape e requerem que o usuário tenha um browser Netscape que também suporte SSL.                                            

            Algumas companhias utilizam servidores WWW para iniciar as transações.  Por exemplo, as empresas podem disponibilizar informações mais detalhadas sobre seus produtos e serviços do que , possível em um catálogo impresso. Singleton, da Money.com, opina: "O real valor da World Wide Web , como um front-endde banco de dados. Ela proporciona aos clientes acesso aos dados.

            O marketplaceMCI está chamando atenções por causa dos  recursos financeiros da companhia. Trata-se de um "shopping eletrônico" que está aberto para qualquer um que tenha acesso à WWW. A MCI fechou contrato com uma variedade de empresas comerciais para vender seus produtos e serviços no marketplace MCI, entre os quais Sara Lee, Amtrak e Timberland.

            Contudo, é difícil avaliar o sucesso comercial na Internet. Algumas pessoas de empresas, como Bill Rollinson da Internet Shopping Network, alardeiam "300.000 acessos por dia"      

      Mas as taxas de acesso não dizem nada sobre quantas compras são efetuadas ou mesmo quantas requisições de e-mail com mais informações são de fato recebidas. Um acesso simplesmente significa que alguém examinou a página da empresa na  Web.

            A WWW como mercado comercial tendem (9,6 a 25,5 Kbps), a performance da WWW , relativamente lenta. Matt Kursh, CEO da eShop, uma companhia que projeta interfaces com o usuário para comércio eletrônico reclama que mesmo os mais sofisticados servidores WWW comerciais "não são o que eu chamaria de convincentes, mesmo em velocidades Tl".

            Por esses motivos, muitas empresas estabelecem uma presença na WWW mais para construir uma imagem do que pelo retorno financeiro, segundo a ActivMedia, uma empresa de pesquisa de mercado especializada na Internet.

            Em uma recente pesquisa com comerciantes na Internet, 72% afirmaram que o propósito de sua presença on-line era realçar a imagem da companhia, sendo que 74% utilizam a Internet para distribuir informações de produtos e preços. Somente 22% disseram que a Internet era "financeiramente  compensadora" e 40% não esperavam retorno financeiro nos  próximos 12 a 24 meses.

            Essas companhias ainda dependem muito de telefones e aparelhos de fax para o intercâmbio de informações de cartões de crédito. Informações encriptadas de cartão de crédito, ou "e-cash", são um meio de pagamento insignificante, usado por menos de 6% das companhias na Internet, segundo a pesquisa.

               

 

 

8. Você sabe onde estão os seus dados?

 

 As ferramentas de busca de dados não estão maduras

 

 

            Surfar na Internet está se tornando um termo comum nas empresas, como FedExar pacotes ou faxear uma carta. Infelizmente, muitas empresas descobrem que localizar dados ernpresariais estratégicos , quase tão difícil e frustrante quanto montar um balançador para crianças.

            O problema está na complexidade da rede e no fato de suas ferramentas padrão para busca de dados requererem conhecimento e um toque de sorte para a rápida localização de informações úteis.

            Entre os browsers tradicionais estão o Gopher, que é  baseado em caracteres. Pacotes auxiliares como o Archie e o Veronica peneiram  vários servidores. O browser baseado  e GUI mais popular ,o Mosaic, desenvolvido originalmente como shareware pelo NCSA (National Center for Supercomputing Applications) da Unisidade of Illinois.

            A Netscape Communications e a Spyglass estão agora vendendo suas próprias versões de browsers Mosaic. Esses produtos simplificam para os usuários o peneiramento de informações mas não são panacéias para navegar em oceanos de informações.

            "Se um usuário tiver que passar por dez ou mais elos de hipertexto, ele pode não lembrar como chegou a um servidor específico", observa Charles Baugh, diretor de produtos de conhecimento da Ciso Systems, um fornecedor de comunicações da Califórnia. "Uma vez tendo saído de linha, ele pode nunca mais ser capaz de voltar à aqueles dados."

            Diversos fabricantes tratam desses problemas ajustandando  ferramentas de busca especificamente para a Internet. A Vety oferece o Topic, uma ferramenta de busca para usuários trabalham com arquivos corporativos. Recentemente, a companhia introduziu o Topic WebSearcher. A InfoSeek proporciona acesso à VWWV e capacidades de busca-e-recuperação de artigos de mais de 80 publicações sobre computação, bem como de jornais médicos, os princípios de serviços a cabo, grupos de notícias na Internet e páginas WWW.

            O serviço suporta Netscape e browsers Mosaic. A tarifa mensal padrão , de US$ 9,95, que inclui 100 transações gratuitas, mais 10 centavos de dólar por cada transação do limite gratuito, ou 20 centavos de dólar transação, sem  tarifa  mensal.

            A Fulcrum Technologies utiliza seu núcleo existente de recuperação de texto no Surfboard, um novo sistema de busca da recuperação comercializado para usuários da Internet. Uma  localizado um documento de interesse, é possível instruir o núcleo para encontrar mais documentos como o exemplo, de acordo com a companhia.

            O Surfboard suporta browsers compatíveis com HTTP, como WAIS (Wide Area Information Service) e Gopher. O suporte a OS inclui Windows NT, SunOS e HP/LTX. Os  preços dos servidores começam a partir de US$ 15.000.

                                                                                                    

 

 

9. Personas Públicas versus Privadas

 

 As redes privadas estão trabalhando para tornar a rede ultrapassada

 

 

            Redes comerciais pioneiras, como PersonaLink e EasyLink Rda AT&T, não estão amarradas limitações técnicas da Internet. O mais fácil para as redes privadas experimentar com coisas novas.

            As redes PersonaLink e EasyLink suportam o protocolo Telescript da General Magic e a interface Magic Capé um ambiente operacional gráfico que foi projetado para telecomunicações partindo do zero.

            Os desenvolvedores podem escrever aplicativos projetados para esse sistema comercial on-line, ao invés de ficar quebrando  a cabeça montando aplicativos no complexo ambiente Unix. A eShop projetou uma interface com o usuário para um shopping  on-line que roda no Magic Cap, bem como no Windows. Os usuários  podem personalizar suas "fachadas de loja" usando produtos de software de apresentações empresariais ou de gráficos populares.

            Conteúdo, alguns analistas acham que a Internet ainda pode competir com as redes privadas. "As redes privadas são caras não  há espontaneamente", avalia Cathy Medich, diretora executiva do consórcio CommerceNet. Há uma limitação a parceiros comerciais específicos, enquanto a Internet é uma forma de baixo custo para a participação de muitos compradores."

 

 

 

10. "Olá, sou seu servidor, Bill?

 

Os produtos on-line da Microsoft estréiam este ano

 

         A Microsoft planeja entrar no mercado on-line com a MSN (The Microsoft Network), agendada para lançamento no final de 1995, em conjunto com o Windows 95. Inicialmente, a MSN operará como a CompuServe ou outros serviços comerciais on-line, como conectividade à Internet para permitir que os usuários intercambiem e-mail através dela e acessem seus grupos de notícias. Ela poderá em dado momento passar a oferecer suporte técnico e atualizações de software Microsoft, com vendas on-line de software não-Microsoft.

            Em um momento posterior (agendado de forma otimista para o final de 1995), a MSN terá acesso total à Internet através de uma rede TCP/IP a ser fornecida e operada pela UUNET sob contrato com a Microsoft.

            Os usuários MSN terão então acesso completo à Internet, inclusive a WWW. A Microsoft lincenciou software de browser Web e outras ferramentas Internet da Spyglass. A MSN será basicamente uma rede privada com porta corta-fogo.

            Anthony Bay, diretor da divisão Internet & Business Services, diz que a Microsoft disponibilizará APIs para que os desenvolvedores produzam aplicativos especificos para a MSN e subseqüente para acesso à Internet.

            Com seus imensos recursos e suas enormes comunidades de desenvolvedores de software e de usuários, a MSN pode alterar a forma da Internet. Pode também ser um reflexo distorcido, afligido por atrasos e aplicativos cheios de bugs. Somente o tempo dirá.

 

 

Bibliografia:

 

Revista  "Byte Brasil", Julho 1995

Volume 4, nº 7, págs 41 à 63

 

 
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