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NOTICE: This page is no longer mantained. Please check the new home page. Vidas Secas Vidas
Secas conta a história de uma família de retirantes que com a chegada da seca
tem que se mudar com destino desconhecido.
Pela caatinga vão caminhando
Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho e o filho mais novo, Baleia (a
cachorra) e o papagaio, caminham pela terra quente, que os pés já acostumaram e
nem sentiam a temperatura. Morre então o papagaio que eles comeram sem pensar
duas vezes. Fabiano
era de pele vermelha pelo sol, olhos azuis, cabelos e barbas ruivos, não sabiam
interpretar quase nada, se comunicavam através de gestos e sons guturais, às
vezes se confundiam com bichos, pois se davam melhor com eles. Um
dia Fabiano foi a cidade comprar algo para casa, pouca coisa, mas que já
ajudaria, Fabiano sentia pena de Sinhá Vitória que sonhava em dormir em uma
cama de couro como a do Senhor Thomas de Balandeira, mas o dinheiro nunca dava.
Resolveu parar um pouco na venda de seu Inácio e tomar uma pinga, foi quando um
soldado amarelo chamou-o para jogar baralho. Fabiano jogou um pouco, ao perceber
que estava sendo roubado saiu sem dar satisfação ao soldado que ficou
aborrecido e muito bravo, levando-o para a cadeia, Fabiano apanhou muito e se
revoltou muito pois tinha sido preso injustamente, apenas por não saber se
justificar, pensava em Sinhá Vitória, e nos meninos como passariam a noite
sozinhos. Sinhá Vitória era como Fabiano, falavam pouco e na maioria do tempo
só sonhavam em ter uma cama de couro, pois não agüentava dormir na cama feita
de varas. O
menino mais novo sentia orgulho do pai, adorava ver o pai botar o arreio na
égua alazã e amansá-la. Pensava em quando fosse homem seria como Fabiano,
corajoso, andaria com brionas, importante, os rosetos da espora tilintando. O
menino mais velho nunca tinha ouvido falar a palavra inferno, e ficou curioso,
Sinhá Vitória ficou irritada quando ele perguntava e disse que não tinha
importância, mas ele insistia e quando soube o significado ficou abismado em
como uma palavra bonita podia significar tamanha monstruosidade. No
inverno a família se reunia em volta do fogo para se esquentar, mas os buracos
que tinha pela casa eram vários, deixando circular o maior frio mesmo com a
fogueira. Na
Festa de Natal eles foram para a cidade que ficava longe e as roupas apertadas
que pelo caminho já tinham tirado sapatos, gravata e tudo mais. Depois da missa
foram para a festa, que tinham barracas pelas ruas, mas Fabiano bebeu muito e
Sinhá Vitória pensou em ir embora com as crianças mas não poderia deixá-lo ali,
jogado no chão mexendo com quem passasse. Os
meninos ficaram curiosos em saber como as pessoas conseguiam guardar nomes das
coisas. Dias
depois Baleia, a cachorra, estava para morrer, magra e com os pelos caindo,
manchas escuras e cheia de moscas pelas feridas que sangravam. Fabiano imaginou
que Baleia estava com hidrofobia e amarrou-lhe um rosário de sabugos de milho
no pescoço, mas não adiantou e Fabiano teve que matá-la. Sinhá Vitória segurou
os meninos no quarto para não vê-la morrer. Baleia foi morta numa pedra onde os
urubus iam comê-la. Fabiano ia receber o dono da fazenda e reclamou pois o
patrão estava roubando na conta, mas o patrão disse que se ele não estivesse
contente, poderia arrumar suas coisa e procurar outra fazenda em que pagassem
mais e Fabiano então teve que se conter, reconfundindo mais uma vez com um
bicho. Fabiano
uma vez encontrou pelos campos o soldado amarelo que botou-lhe na cadeia e o
batera naquele dia. A vontade de Fabiano era puxar o facão e avançar no pescoço
do soldado que estremecia de medo, mas Fabiano também tinha medo e por isso não
fez nada. Sinhá
Vitória disse a Fabiano que as aves estavam comendo bois e cobras, e ele não
entendia como aquelas pequenas aves podiam matar bois e cobras, Fabiano pensou
e admirava a esperteza de Sinhá Vitória. Numa
certa noite resolveram fugir para rumos desconhecidos como sempre, mataram uma
cabra escondida do patrão e começaram a caminhada. Lembraram
do que tinham passado até ali, lembravam da cachorra Baleia. Mas Sinhá Vitória
era otimista e tinha esperança de um futuro melhor em que um dia iam poder
morar na cidade e os meninos entrariam numa escola. E na cidade só os fortes morariam como Fabiano, ela e os meninos. |
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